segunda-feira, 8 de junho de 2015





Tinha a história dessa mulher. Essa mulher que se derrama. Eu não lembro nada mais além disso. Nenhum outro teor da história. Apenas que ela se derramava em certo ponto. Se derramava de amor. Assim, ela, toda espalhada pelo chão. E a gente olhava para ela e enxergava esse rosto. Assim, das suas lágrimas, do seu corpo derretido esparramado pelo chão. A gente enxergava esse rosto e sabia que tinha sido Ele a causa. Sabíamos. Era Ele. Era dor. Era dor e era amor. E por isso, era Ele. Essa mulher foi uma das figuras mais bonitas e sofridas que já vi. Eu não lembro se havia um desenho na história, uma imagem definida que me mostrasse essa mulher. Talvez não. Talvez apenas no texto. No texto e percebido na imaginação. Sim. O fato é que até hoje eu carrego essa mulher, a sua visão, seu estado, seu desespero, sob os meus olhos. E só lhe lembrei hoje. Parece que era algo que me faltava em minha vida. A lembrança dela. Sua imagem. Foi Troche. Sim. Tinha de ser. Ele. Ele que me despertou essa mulher que eu já guardava sob a minha retina, e no entanto não me apercebia. De imediato a reconheci. E segundos depois não sabia dizer ao certo do que se tratava. Se eu tinha visto, lido, conhecido realmente esta história. Ou se era uma lembrança carregada de tempos passados, quem sabe outras vidas. Não sei quem era essa mulher. Ela me surgiu agora? Ela não carrega um rosto. Não. Traz as mãos sobre ele, e as lágrimas esparramadas ao redor. Ao redor desse corpo derramado. Derramado. Derramado de dor. Quem era essa mulher? Essa mulher seria eu. Essa mulher seria eu? Seria. Foi? Talvez será. De todo modo, a partir de hoje ela está acordada. Ela, sua imagem. Eu. De rosto coberto e choroso. E a carregarei assim agora, tendo consciência dela e de sua dor. Andaremos juntas, na nossa solidão. Eu carregando o seu corpo esparramado.




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