quinta-feira, 25 de junho de 2015


Eu queria escrever sobre o silêncio, disse a ele. Queria escrever dessas lacunas da voz. E do som fosco que faz a tua ausência. Queria explicar dessa dor aguda que a distância me causa. Da solidão que é te saber sozinha. O silêncio. Do silêncio que sou. Que somos. Da mudez do corpo e dos gestos. Do vazio das palavras que pronunciamos. Há um silêncio que não é preenchido nunca entre nós. E eu temo que nunca será. A dor que ambos carregamos tratou de calar o coração. Não esperávamos companhia. E agora não sabemos como agir. Digo, eu não sei. A não ser esperar que a fome e o fogo nos aproxime.





| entre questões de um exercício sobre a pré-história. assim,
numa lacuna entre o paleolítico e o neolítico - 16/06/15 |

(quem sabe eu era o homem gritando entre as cavernas,
na minha solidão e desespero, esperando que você possa
ouvir me amar também.)

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